Crônica E chegou mais um carnaval!
A verdade é que o carnaval nunca termina de verdade. Ele só descansa. Dorme um sono leve, inquieto, e vai acordando aos poucos — num ensaio técnico, num samba que gruda no ouvido. E quando a gente menos espera, ele está de volta. Inteiro. Enorme. Inevitável. Ninguém sabe explicar direito quando começa. Talvez comece no silêncio de uma quarta-feira de cinzas, quando a avenida ainda está quente e alguém já murmura "ano que vem". Talvez comece no primeiro acorde de um cavaquinho numa noite qualquer de quinta-feira, numa quadra de subúrbio, com meia dúzia de gatos pingados e um sonho do tamanho do mundo. Talvez comece na mão da costureira que alisa o tecido pela primeira vez e já enxerga nele a…