Foto: Thomas Reis/Rio Carnaval (Intérprete Dowgllas Diniz e integrantes da Mangueira na gravação do álbum Rio Carnaval 2027)

Às vésperas do centenário em 2028, a Estação Primeira de Mangueira fará aos 99 anos o primeiro enredo de sua história inteiramente dedicado a um orixá e já levou "Oyá Por Nós" para o estúdio do álbum Rio Carnaval 2027, que sai nesta quinta-feira (29/10), às 21h. Quarta e última escola a pisar na Sapucaí na Terça-feira de Carnaval, 9 de fevereiro de 2027, encerrando os desfiles do Grupo Especial, a verde e rosa celebra a senhora dos ventos e das tempestades, padroeira do matriarcado mangueirense, em trabalho assinado pelo carnavalesco Sidnei França. O samba campeão de Lequinho, Júnior Fionda, Paulinho Bandolim (em sua 7ª vitória na escola) e parceria acrescentou à sinopse original o enfrentamento direto à intolerância religiosa e à misoginia, síntese do verso "Porque eu sou preta, macumbeira e de Oyá", acolhido pelo carnavalesco no roteiro do desfile. "E para a gente, a parte da intolerância, que não tinha, a parte também feminista que tinha sobre algumas coisas, independência, empoderamento feminino, mas não tinha sobre misoginia, essas coisas. E a gente foi agregando, agregando até chegar ao final", contou Fionda.

Na gravação conduzida ao lado de Digão do Cavaco e do intérprete Dowgllas Diniz, o diretor musical Vitor Art montou um arranjo de oito vozes e quatro harmonias, com violão de sete cordas, cavaquinho com afinação de bandolim e participações especiais: "Quem constrói o arranjo é o samba. A gente tem um monte de ideia, nem tudo que a gente pensa cabe dentro do samba". À frente da bateria, os mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão registraram a faixa em 140 BPM, andamento que já pretendem manter na avenida, com duas bossas definidas: uma pausa na cabeça do samba, de "Segura que o xirê vai começar" até "Eparrey", e outra na segunda parte para sublinhar o verso mais forte da letra. "Hoje a gente vai usar o andamento de 140 BPM, que é um andamento que a gente já quer levar para a avenida, porque a gente acha que o samba não decai do que o pessoal já está acostumado na quadra", explicou Taranta, completado por Explosão: "É a bossa em 'sou preta, macumbeira e de Oyá'. É uma bossa que remete à palavra. É uma palavra bastante chamativa e a gente enfatizou bem ela".